Atendimento Clínico

A importância da clínica interdisciplinar na avaliação e no tratamento das dificuldades de aprendizagem

O  desenvolvimento de habilidades acadêmicas depende de fatores neurobiológicos, cognitivos, psicossociais, comportamentais e ambientais. A primeira manifestação de uma dificuldade é uma inabilidade ou atraso em algum dos cinco domínios: leitura de palavras, compreensão textual, expressão escrita, execução de cálculos e/ou resolução de problemas.

Nem sempre uma dificuldade persistente pode ser considerada um Transtorno Específico de Aprendizagem (discalculia e dislexia). Para se diagnosticar adequadamente a etiologia dos sintomas, avalia-se em um primeiro nível a severidade e o impacto dessa dificuldade. Em um segundo nível, analisa-se as características individuais que podem estar relacionados aos sintomas. Isso inclui processos cognitivos (atenção, memória de trabalho, funções executivas, memória) e fatores psicossociais e comportamentais (humor, personalidade, motivação, habilidades sociais, regulação emocional, comportamentos internalizantes e externalizantes). Em um terceiro nível, examina-se o impacto de fatores neurobiológicos (genéticos e neurológicos) e ambientais (qualidade da instrução escolar e relações familiares).

O diagnóstico de Transtorno Específico de Aprendizagem (discalculia e dislexia) é bastante complexo e frequentemente há comorbidades. O ideal é uma equipe multidisciplinar avaliar todos os fatores biopsicossociais, construir um plano terapêutico adequado para cada caso com objetivos a curto, médio e longo prazo e reavaliar a Resposta à Intervenção após um período de 6 meses.

Independente do diagnósticos (seja Transtorno Específico de Aprendizagem ou de Dificuldades de Aprendizagem), a efetividade do tratamento depende muitas vezes do trabalho conjunto de muitos profissionais de forma interdisciplinar. Considerando que são indivíduos em desenvolvimento, são também importantes a avaliação precoce e a realização de tratamentos baseados em evidências com intensidade e frequência adequadas. Nesse caso, há intervenções preventivas e remediativas, sendo que as preventivas produzem o melhor desfecho.

Por Francéia Liedtke, psicóloga clínica e pesquisadora

mestranda no Programa de Pós  Graduação em Psicologia  – UFRGS

Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Neuropsicologia Cognitiva – UFRGS