Atendimento Clínico

Prática Baseada em Evidências

A  prática baseada em evidências é a integração da melhor pesquisa disponível com a perícia clínica no contexto das características, cultura e preferências do cliente.

Diferente dos tratamentos empiricamente sustentados, que são tratamentos específicos que se mostraram eficazes em condições clínicas controladas, a prática baseada em evidências engloba um grande leque de práticas clínicas e é um processo de tomada de decisão que integra múltiplos tipos de evidências de pesquisa para executar o processo de intervenção.

A intervenção refere-se a todos os serviços prestados por profissionais da saúde mental, incluindo avaliação, diagnóstico, prevenção, tratamento e consultoria.

As evidências de pesquisa podem ser oriundas de: a) observação clínica, b) pesquisa básica, c) pesquisas qualitativas , d) estudos de casos sistemáticos , e) projetos experimentais , f) pesquisas etnográficas, g) pesquisas na saúde pública, h) pesquisa sobre o desfecho de intervenções, i) pesquisas de intervenções em ambientes naturais, j) tratamentos empiricamente sustentados, k) meta-análises, entre outras.

Para a escolha da melhor evidência disponível, recomenda-se considerar a) o peso dos diferentes métodos de pesquisa; b) a representatividade das amostras de pesquisa; c) em que nível a pesquisa e seus resultados devem guiar a prática; d) a possibilidade de transferência e de adaptação de pesquisas controladas para a prática clínica; e) o quanto os tratamentos de escolha foram testados (quantidade de estudos e duração); f) o quanto os resultados da pesquisa sobre eficácia e efetividade podem ser generalizado para indivíduos com diferentes características sócio-econômico-culturais.

A perícia clínica envolve: a) avaliação, hipótese diagnóstica, formulação de caso e planejamento de tratamento; b) tomada de decisão para implementação de tratamento e monitoramento do progresso do paciente; c) competências interpessoais; d) auto-reflexão e aquisição contínua de habilidades; e) avaliação e uso de evidências de pesquisa adequadas; f) compreensão sobre a influência das diferenças individuais e culturais na avaliação e tratamento;  g) busca de outros recursos disponíveis conforme necessário (como consultoria a outros profissionais); h) existência de justificativa convincente para o uso de determinadas estratégias clínicas;

As características do cliente que interferem nos resultados incluem: a) variações na apresentação de problemas ou distúrbios, etiologia, sintomas ou síndromes concomitantes, e comportamento; b) idade cronológica, estado de desenvolvimento, história do desenvolvimento e estágio da vida; c) fatores socioculturais e familiares; d) contexto ambiental atual e fatores estressores; e) características pessoais, valores e preferências relacionadas ao tratamento. 

Fonte: American Psychological Association, Presidential Task Force on Evidence-Based Practice. (2006). Evidence-based practice in psychology. American Psychologist, 61(4), 271-285. doi:10.1037/0003-066X.61.4.271