Dia a dia

A importância do brincar: o desenvolvimento passa pela brincadeira

Estamos em outubro, mês das crianças, e vamos falar sobre a importância de brincar.
Você sabia que a brincadeira começa desde cedo já na vida intrauterina, quando o bebê brinca com o seu cordão umbilical? Essa inocência lúdica já mostra a representatividade do ato. Suas competências começam a se manifestar, e a memória realiza seus primeiros registros mentais. Após o nascimento, o bebê passa a emitir de maneira lúdica diferentes sons para chamar a atenção da mãe e de seus cuidadores, além de iniciar a comunicação oral.

Esse brincar, ainda que pareça pobre de recursos, é muito importante para favorecer o processo de desenvolvimento. O desenvolvimento resulta da aprendizagem adquirida durante o crescimento. São mudanças de longa duração no comportamento, com base na experiência ou adaptação ao ambiente. Isso também quer dizer que o meio em que a criança está inserida tem forte influência no seu comportamento. Os comportamentos sociais são aprendidos, através da observação de modelos que serão imitados. Assim, a brincadeira favorita de alguns bebês é quando seus pais brincam de esconde-esconde com uma fralda ou pano no rosto, o que permite o “poder” da descoberta e a recuperação da figura perdida. Cognitivamente, essa experiência repercute na aquisição do conhecimento, na tolerância à frustração e influencia na capacidade de separação futura.

Já a criança maior, no período pré-escolar, conta com pensamento representativo e, portanto, as diversas situações nas brincadeiras, na hora do recreio, nas rodas de conversas e na hora do lanche adquirem o caráter da ampliação de suas competências e habilidades. Alguns autores citam que o desenvolvimento é concebido como um processo aberto e indeterminado, com múltiplos caminhos possíveis a partir de qualquer ponto. Podemos dizer que o brinquedo na infância contribui para o desenvolvimento cognitivo e psicossocial da criança, mas que o processo lúdico se estende por todo o processo do desenvolvimento, transpassando a infância, chegando à vida adulta e na velhice, ainda que com outros contornos do brincar.

Os diferentes brinquedos e brincadeiras explorados, tais como jogar bola, andar de bicicleta, usar bonecos, castelos de areia, correr e se esconder, representam a base da construção ativa do mundo de cada um. A base de seus esquemas mentais; saúde mental; capacidade de interação social e, porque não dizer, a capacidade de obter seu autoconhecimento e de ser feliz.

E então, vamos brincar?

Marisa Marantes Sanchez
Psicóloga, diretora do ITEPSA e docente da ULBRA