Contexto Escolar

Por que precisamos tornar algumas tarefas automáticas?

Como vimos em posts anteriores, nossa memória de trabalho consegue manipular pouquíssimas informações e a atenção é um filtro que seleciona apenas alguns itens que serão representados, mantidos e manipulados em nossa mente.

Nessa perspectiva, ficamos entre a cruz e a espada: se a atenção não seleciona e percebemos tudo, nossa memória de trabalho entra em colapso; se a atenção seleciona apenas alguns itens, temos acesso a uma parte da informação, o que prejudica o nosso entendimento.

Então fica a pergunta: se temos essas limitações, como somos capazes de pensar durante atividades complexas, como resolver problemas matemáticos e  ler livros extensos ?

A solução é simples: automatizamos processos.

Lembre-se de quando aprendeu a amarrar o sapato, a tocar um instrumento musical ou a dirigir. Você já parou para pensar que no início precisava pensar em cada detalhe e que, conforme foi repetindo a mesma operação, menos foi precisando pensar e mais passou a poder fazer outras coisas? Isso aconteceu porque esses processos passaram a ser automáticos. 

Como podemos perceber, automatizar processos é fundamental porque libera energia para darmos conta de outras atividades. Isso depende da formação de novas conexões cerebrais a partir da repetição continuada.

Entretanto, podemos cometer lapsos, caso deixemos de atentar para o que estamos fazendo. Assim, diante de qualquer atividade, precisamos executar a tarefa de forma automática sem deixar de exercer o controle consciente, que  depende da maturação cerebral e das vivências metacognitivas, que possibilitam o autoconhecimento, a autorregulação e o automonitoramento.

No nosso curso COMO O CÉREBRO APRENDE, em quatro módulos, nas segundas-feiras de outubro, vamos falar mais sobre estes e outros assuntos. Saiba mais clicando aqui e aguardamos você nestes encontros.

Por Francéia Liedtke, psicóloga,

mestranda no Programa de Pós  Graduação em Psicologia  – UFRGS

Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Neuropsicologia Cognitiva – UFRGS