Dia a dia

DIA DO ADOLESCENTE: vamos prestar atenção nos jovens?

Hoje, 21 de setembro, é comemorado o Dia do Adolescente. Aqui, vamos refletir sobre a importância dessa etapa para o desenvolvimento do sujeito e da sociedade. É o momento de centrarmos nossa atenção sobre a saúde mental dos adolescentes e sua proteção nos diferentes contextos de desenvolvimento. Esta é uma fase crucial na vida da pessoa, que envolve mudanças físicas, cognitivas e sociais. O período exato em que a adolescência começa é por volta dos 12 anos, com o término cada vez mais tardio. Autores e pesquisadores do tema consideram que pode ir até cerca dos 24 anos de idade. Isso porque a adolescência envolve progressivo ganho de autonomia e maturação física e psíquica, como nos explica a psicóloga Jaqueline Giordani. Este desenvolvimento ocorre sob influência de um emaranhado de determinantes sociais, que abarca desde o ambiente familiar, a escola, o restante da comunidade, a relação com os colegas e amigos e as condições sócio históricas em que o adolescente está inserido. E é isso que irá determinar seu desenvolvimento psicossocial, vitimização por violência ou negligência, e até mesmo sua saúde presente e futura.

Também queremos refletir sobre as pesquisas acadêmicas que estudam o tema da adolescência. Em “O Cérebro Adolescente”, livro publicado em 2015 nos Estados Unidos pela dra Frances E. Jensen, o subtítulo “Guia de sobrevivência para criar adolescentes e jovens adultos” já indica seu objetivo. A obra relata que o cérebro adolescente foi uma área de estudos relativamente negligenciada até uns 10 anos atrás. “A maioria dos dólares das pesquisas de neurologia e neuropsicologia é investida no desenvolvimento do cérebro do recém-nascido e da criança, desde as deficiências na aprendizagem até a terapia precoce de enriquecimento da experiência”, escreve a autora. Até alguns anos atrás, a neurociência do cérebro adolescente era pouco financiada, pouco pesquisada e, obviamente, não muito bem compreendida. Os cientistas, conforme Frances, acreditavam que o crescimento cerebral estava praticamente concluído quando a criança chegava ao jardim de infância. Mas e o cérebro adolescente? Quase todos achavam que ele era basicamente igual ao do adulto, apenas com menos rodagem. Frances relata que há muitos mitos arraigados que constituem crenças sociais aceitas, como o fato de que os adolescentes são rebeldes e desafiadores porque querem ser difíceis e diferentes ou que são impulsivos por causa do intenso afluxo hormonal. Por fim, fica o recado final para quem estuda o assunto, que não se esgota: os anos da adolescência são uma ótima época para testar onde estão os pontos fortes de um jovem (e prestar atenção nos pontos fracos). Vamos tentar “entrar na cabeça” dos adolescentes, então? Cada um deles tem alguma coisa com a qual está lutando, e todos nós podemos ajudar nisso.