Contexto Escolar

Saiba como foi a colheita: VIOLÊNCIA ESCOLAR

O assunto é difícil e dolorido, mas necessário de ser abordado e divulgado. Na última terça-feira, dia 18 de setembro, a Semear promoveu em sua sede em Porto Alegre a palestra Violência Escolar: o que é e como afeta alunos e professores. O encontro reuniu professores, psicólogas e assistentes sociais para ouvir os resultados da dissertação de mestrado da pesquisadora Jaqueline Giordani, psicóloga do Colégio de Aplicação (UFRGS). Jaqueline realizou dois estudos de delineamento transversal, sendo um qualitativo e outro quantitativo com professores e alunos de escolas públicas de Porto Alegre. Os resultados dos trabalhos indicam que violência escolar tem afetado o desenvolvimento das vítimas e também das testemunhas, como os docentes. A seguir, confira alguns destaques da palestra.

SER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA ESCOLAR pode ocasionar desde evasão escolar até comportamento suicida. A violência escolar tem sido associada ao desenvolvimento de sintomas externalizantes, expressos em agressões e comportamentos antissociais. Diversos estudos também têm encontrado associação com o desenvolvimento de sintomas internalizantes, como depressão, ansiedade e estresse. A violência escolar interfere negativamente nas referências que o sujeito tem de si, em relação à autoestima, autoimagem e autoeficácia, e provoca prejuízo nas relações sociais.

OS NÚMEROS IMPRESSIONAM: um em cada três alunos consultados na investigação de Jaqueline relatou ter sofrido violência na escola, na forma de violência psicológica (24,9% relatam ameaça ou humilhações) e 10,8% afirmaram já terem sofrido violência física (soco, surra ou agressão com objetos). A violência verbal é a mais recorrente, porém naturalizada entre os estudantes. Muitos relatos de casos de xingamento ou exclusão são baseados em características que diferenciam os colegas (seja pelo fenótipo, características físicas ou questões envolvendo a sexualidade). Quanto à a violência física, houve relatos inclusive do uso de armas brancas (tesoura/estilete).

CASOS DE VIOLÊNCIA ENTRE ALUNOS E PROFESSORES também são comuns. A violência verbal contra professores indica a ocorrência de conflitos próprios da sala de aula. Na dissertação, Jaqueline trouxe a sensação de desvalorização profissional e sentimento de solidão por parte dos professores. Eles relatam dificuldade para trabalhar após uma situação de conflito e sobre o quanto esses casos de violência afetam a rotina de trabalho

Insatisfação, desgaste mental e sofrimento no trabalho, como síndrome de “burn out”. Os professores consultados para a pesquisa relataram perceber violências sofridas pelos alunos também em suas famílias e acreditam que esse tipo de abuso afeta o comportamento e a aprendizagem dos adolescentes.

BULLYING E CYBERBULLYING também estão presentes na vida dos adolescentes e todos trazem efeitos futuros à vida de quem sofre estes ataques. Um estudo feito na Inglaterra ao longo de 50 anos acompanhou estudantes e concluiu que vítimas de bullying (que tinham cerca de 13 anos à época dos acontecimentos) podem ter até duas vezes mais chances de desenvolverem depressão quando adultos, em relação aos adolescentes não vítimas.  Hoje em dia, aumentam os casos em que as tecnologias interativas virtuais (e-mail, telefones celulares, blogs, redes sociais) criam situações de ameaça, humilhação e intimidação ocorrem. Este comportamento é difícil de ser mapeado, pois muitas das ferramentas digitais de comunicação tem o anonimato por trás dos atos de agressão virtual.