Contexto Escolar

Saiba como foi o curso: ENSINAR A CONHECER

Curso para educadores no dia 11 abordou cognição e metacognição em sala de aula

Como uma criança absorve um novo conhecimento? E como se dá este processo, etapa por etapa? Este tema foi abordado em profundidade no primeiro curso da Semear – Psicologia e Neurociência direcionado a educadores e profissionais da área da Educação. Em “Ensinar a Conhecer”, realizado no último sábado, dia 11 de agosto, em Porto Alegre, o encontro de oito horas de duração capacitou professores sobre os processos por trás da aprendizagem e como aplicá-los em sala de aula.
Ambas as ministrantes do curso são doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRGS e têm especialização em Neuropsicologia: a pedagoga Julia Scalco trabalha com Educação Infantil e é professora da rede municipal há 10 anos, e a psicóloga Natália Becker atua nas áreas de avaliação e reabilitação neuropsicológica e avaliação psicológica ao longo do desenvolvimento.

O curso realizado ao longo de uma manhã e uma tarde foi formatado em quatro etapas: mobilização, apropriação teórica, aplicação e síntese metacognitiva, representando como deve ser feita uma aula para crianças e adolescentes. Primeiro há a mobilização dos estudantes e a explicação do conteúdo por parte do educador, seguido de realização da atividade pelo professor com a turma (coletivo), depois as atividades em grupo (mediação pelos pares), realização de atividade individual (para fixação do conteúdo) e por fim um momento de reflexão a respeito do que foi trabalhado a fim de possibilitar a generalização das competências e habilidades. Sempre lembrando que a capacidade de atenção é limitada, até mesmo os momentos de intervalo são planejados e essenciais para absorver o que foi visto.

Tomando como exemplo uma situação em que cada estudante precise escrever sobre o tema “animais em extinção”, Julia e Natália explicaram como se dão os processos cognitivos (subjacentes à elaboração do conhecimento) e os metacognitivos (que controlam o uso dos demais) envolvidos na tarefa proposta. Que habilidades ou estratégias seriam necessárias para realizar esta atividade?  – O educador percebe aqui também as diferenças entre os conhecimentos iniciais de cada aluno, a representação de mundo que a criança traz de casa. E cada um buscará conexões com o assunto na memória e nas suas vivências prévias – explicaram as ministrantes. O estudante, então, utilizará suas funções cognitivas para resolver esta atividade (e cabe destacar que o pico do amadurecimento e consolidação destas funções na idade escolar se dá na quinta série). Será preciso pesquisar sobre o assunto, escolher algum recorte dentro do tema, verificar o tamanho do texto, por exemplo, entre outras ações. Planejamento, criatividade, comunicação e motivação também são fatores que contam para a execução desta e de outras tarefas.

Em paralelo, entram em cena as habilidades metacognitivas, o “aprender a aprender”, com conhecimento e controle da cognição. O aluno irá aprender a lidar com a chamada “memória de trabalho” para gerenciar a recuperação de informação, lembrar o passo a passo das tarefas, administrar o tempo. Julia e Natália explicaram que alguns processos básicos precisam ser automatizados, e que cabe aos professores entender estes mecanismos do aprendizado para poder incentivar a autonomia dos estudantes em sala de aula. Antes da aplicação prática do conteúdo no curso, as ministrantes compartilharam ainda recursos para os educadores ajudarem a desenvolver o pensamento dos alunos, a estimular a metacognição e as funções executivas e o monitoramento das estratégias usadas. – O mais fundamental é ensinarmos os processos, e não enchermos de conteúdo. Pois os conteúdos estão aí disponíveis para quem quiser acessar, a criança precisa aprender a estruturar seu aprendizado. O importante é a preparação para a vida – concluíram.